A recente cimeira de Copenhaga tinha como propósito
avançar na resolução dos problemas da poluição e do aquecimento global, mas as
conclusões finais desiludiram. Veja que empresas estão a investir no negócio do
ambiente.
Investir
ecologicamente
Na nossa avaliação de acções, o aspecto
ecológico não é directamente considerado. Deste modo, uma empresa será
recomendada apenas se os fundamentais o justificarem. O modelo de
avaliação é que dita as regras.
Quanto muito, poderemos sublinhar a diferença e o investidor fica
livre de preferir apostar numa empresa que defenda melhor o planeta. No entanto,
nas nossas previsões, não deixamos de ter em conta que uma empresa menos
eficiente em termos ambientais tenderá, no futuro, a sofrer pesadas multas.
Energia eólica
· Na energia eólica, com a crise e a
diminuição dos investimentos, muitos projectos foram colocados de parte. Mas, a
prazo, é um segmento com potencial.
O fabricante dinamarquês de aerogeradores Vestas Wind Systems, cujo
título já não acompanhamos, poderá ser uma das empresas a beneficiar com o
crescimento do sector. Mas pensamos que a cotação já mais do que incorpora estas
expectativas.
Neste segmento, um dos intervenientes importantes é a EDP Renováveis (quarta a
nível mundial). Face às boas perspectivas da empresa, que está presente em
diversos mercados, recomendamos a compra deste título.
Energia Solar
· Recentemente, um anúncio do Estado chinês
de atribuição de subsídios para a energia solar, impulsionou as cotações das
empresas mais ligadas a este ramo, mas rapidamente o efeito desvaneceu-se devido
ao facto dos subsídios na Alemanha e em Espanha terem sido reduzidos. Além
disso, o mercado de crédito continua difícil. A procura cresce menos, o que cria
excesso de capacidade que leva a uma queda nos preços e na rentabilidade.
A alemã Ersol Solar
Energy está presente neste sector, mas já não está cotada pois foi adquirida
pela Bosch. Aconselhámos a compra em Fevereiro de 2008 e, em quatro meses, a
acção valorizou 73% até recomendarmos a venda em Junho.
Empresas
diversificadas
· Na
Siemens, a divisão de energia tem um
segmento de renováveis, ligado ao ramo fotovoltaíco (para painéis solares), mas
tem um peso muito limitado no grupo. No conjunto, a empresa industrial alemã
está cara: venda.
· O gigante General Electric está presente na
produção de energia eólica, no mercado grossista, e ainda no tratamento das
águas. No entanto, estes ramos têm um peso diminuto no grupo, que inclui
actividades nada ecológicas, como o fabrico de motores para aviões. A acção está
barata, mas aconselhamos prudência. Por agora, mantenha.
· A Martifer, cujo negócio principal é a
construção metalomecânica, também constrói parques eólicos e solares. Possui
ainda uma divisão de biocombustíveis, mas procura alienar esta divisão
deficitária.
· A Mota-Engil está presente no tratamento
de águas, além de deter uma participação de 37,5% na Martifer. Mas o negócio
principal é a construção. Pode manter em carteira.
· A BP está presente na vertente dos
painéis solares, mas o conselho de compra é suportado pela actividade
petrolífera.
· Também recomendamos a
compra da eléctrica espanhola Iberdrola, que detém uma
participação na Iberdrola Renovables, bem posicionada nas “energias verdes”.
Conclusão
Actualmente, ainda são poucos os
conselhos de compra em “empresas verdes”. Antes de mais, na maior parte dos
casos são segmentos de negócio de empresas diversificadas, pelo que a avaliação
é feita ao conjunto da empresa. Por outro lado, não há certeza sobre as
tecnologias que vão vingar no futuro.
Por fim, as energias renováveis são, muitas vezes, ainda caras e
pouco rentáveis (algumas sobrevivem à custa de subsídios). Com o
desenvolvimento tecnológico e o acentuar das multas a aplicar pelos governos é
possível ter uma ideia mais concreta do futuro. Na escolha dos investimentos,
damos sempre primazia aos fundamentais.