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Iberdrola
Sector da energia   29/05/2009


O sector da energia oferece oportunidades para um investidor paciente. Mas, atenção, privilegie a selectividade e premeie a avaliação.

Profundas mudanças
O panorama energético mundial modificou-se nos últimos anos. A escassez de petróleo e a tendência de subida do preço são incontornáveis. O abastecimento energético ganhou um enorme valor geopolítico, como demonstram as tensões frequentes entre a Rússia e a Europa. As expectativas dos cidadãos em termos ambientais são cada vez mais elevadas.

Para responder a estes desafios, o sector adapta-se, desenvolvendo novas fontes energéticas. Se as energias tradicionais (carvão, petróleo, gás) são chamadas a evoluir, as energias alternativas, como a solar ou a eólica, deverão desempenhar um importante papel. A energia nuclear poderá também afirmar-se.

Cenário actual
A crise económica mundial levou a uma quebra do consumo de energia. Porém, os factores que sustentam a procura a longo prazo, como a demografia e a industrialização dos países emergentes, não são postos em causa.

Uma vez passada a crise, virá a retoma da procura energética, comprovando que a era da energia barata pertence ao passado. Isso será benéfico para as empresas activas nesses mercados.

Energias fósseis
· Petróleo: sinal visível da crise económica, o petróleo caiu 65% em seis meses. Não prevemos um regresso aos 100 dólares a curto prazo, mas uma subida nos próximos anos (65 a 70 dólares em 2010 face aos actuais 60).

Neste sector, recomendamos a compra da BP que, apesar da queda dos resultados, anunciou uma subida de 4% do dividendo. Também recomendamos comprar a Royal Dutch Shell (RDS) e a Eni, petrolíferas que estão igualmente activas no gás, cujo preço está ligado ao do petróleo.

Preço do petróleo (a carregado) 
vs. sector petrolífero
(base 100)

A subida prevista do preço do barril de petróleo será o motor da revalorização do sector.

· Carvão: O elevado preço do petróleo pôs o carvão na linha da frente. Apesar da relativa abundância que o torna numa matéria-prima muito procurada na Ásia para produzir electricidade, o carvão é penalizado por ser muito poluente.

Por isso, é necessário desenvolver tecnologias que tornem a combustão de carvão menos poluente. Uma tarefa à qual a americana Headwaters (manter) se dedicou, comercializando já uma tecnologia com essas características. Mas a forte presença deste grupo nos materiais de construção leva-nos a não comprar a acção.

Energias alternativas
· Eólica: energia muito promissora, não foi poupada pela actual crise. Vários projectos relativos a parques eólicos foram interrompidos devido às dificuldades de financiamento. Todavia, mantém um bom potencial de crescimento a longo prazo.

A EDP Renonáveis (manter) que é produtora de energia eólica está bem posicionada para beneficiar da expansão deste mercado.

· Solar: tem um bom potencial de crescimento e o principal obstáculo é o preço, que continua a ser o mais elevado entre as alternativas para produzir electricidade.

O mercado da energia solar continuará dependente dos subsídios atribuídos pelos Estados. Estes diminuem nos países que lideraram a promoção da energia solar (Espanha), mas estão a ser disponibilizados noutros países como Portugal, Holanda, Índia, Canadá, Austrália e China e intensificados nos EUA. O crescimento previsto do mercado ronda os 50% por ano até 2012.

· Urânio: as dúvidas sobre a disponibilidade a longo prazo do petróleo e a incapacidade actual das energias alternativas substituírem o ouro negro colocam a energia nuclear no centro das atenções. Produzida a partir do urânio, tem as seguintes vantagens:

  • A matéria-prima é abundante e encontra-se em zonas estáveis (Canadá, Austrália, África do Sul, EUA).
  • O custo da electricidade produzida é pouco sensível ao urânio.
  • É pouco afectada pela questão do aquecimento global.

Isto explica o elevado número de reactores em construção ou planeados pela China (37), Rússia (19), Índia (16) e EUA (12). Ao todo, prevêem-se 151 novos reactores, o que estimula os lucros dos operadores no sector nuclear (minas, equipamentos industriais, enriquecimento).

Conclusões
Recentemente, a China anunciou a intenção de subsidiar a produção de energia solar, enquanto os EUA pretendem investir mais na investigação e garantir empréstimos para as energias renováveis. Alguns investidores calculam que o montante que os Estados deverão investir nos próximos dez anos para estimular as energias limpas deverá atingir os 340 mil milhões de dólares. Teme-se, no entanto, que se crie uma “bolha verde” em relação aos valores cotados em Bolsa.

Em nossa opinião, o sector das energias renováveis está globalmente caro. Por agora, na energia, limitamo-nos a recomendar a compra de alguns títulos petrolíferos (BP, ENI e RDS) e do sector da electricidade (Enel).

Repartição dos recursos na produção de electricidade

O carvão (muito poluente) e o petróleo (mais escasso) contribuem para 50% da produção de electricidade, mas deverão ser progressivamente substituídos por outras energias mais limpas.



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Cotação
6.19 EUR

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Índice de rendimento

Denomina-se de índice de rendimento ao índice de Bolsa que tem em conta a evolução
das cotações e os dividendos distribuídos pelas acções que o compõem. Estes
índices representam o ganho médio do investidor que a aposte na Bolsa em causa.
Opõe-se ao índice de preços que considera as cotações, mas não os dividendos. 

 



Payout

O pay out ou taxa de distribuição é a percentagem do lucro que é destinada para distribuir aos accionistas.
Uma empresa pode optar por oferecer um dividendo elevado quanto o lucro está em baixa através do aumento do pay out. Por outro lado, quando os resultados estão em alta, as empresas podem optar por reduzir o pay out com vista a constituírem reservas de dinheiro para precaverem períodos menos rosas ou para financiar determinados investimentos necessários ao seu crescimento.


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