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Iberdrola
Iberdrola   16/02/2007

Um passo de gigante

A segunda eléctrica espanhola, Iberdrola, deverá adquirir a britânica Scottish Power e, assim, tornar-se num dos principais grupos europeus do sector. A liderança nas energias renováveis e o facto dos principais accionistas continuarem a reforçar no título auguram um futuro prometedor. A acção está correctamente avaliada, pode manter.

Compras na Grã-Bretanha
A total liberalização do sector europeu da energia, agendada para breve, colocou em marcha um movimento de consolidação, para além de vários rumores de fusão entre as empresas do sector. Se os accionistas da Iberdrola e da Scottish Power (SP) chegarem a um consenso, a fusão amigável entre os dois grupos realizar-se-á no final de Abril (em finais de Março, as Assembleias-Gerais de accionistas de ambas as empresas deverão aprovar a operação). O novo grupo constituirá a terceira maior eléctrica europeia em termos de capitalização bolsista e possuirá sólidas posições em Espanha, na Grã-Bretanha, mas também na Europa Central e nos EUA. Por fim, será líder mundial nas energias renováveis (particularmente, parques eólicos).

De presa a caçador
Durante vários anos, a Iberdrola foi a “noiva” favorita de todo o sector eléctrico espanhol. Mas nenhum “casamento” chegou a efectivar-se: pressão das autoridades de concorrência, condições muito restritivas, etc. Mas a chegada de uma nova administração e o momento vivido pelo sector em Espanha (OPA sobre a Endesa, movimentos accionistas) acabaram por conduzir a uma fusão com a SP. Uma operação amigável, mas que na prática corresponde a uma compra da empresa espanhola.
Com esta união, a nova empresa terá um sistema de geração eléctrica mais equilibrado (adiciona carvão e energia nuclear ao parque de geração tradicional da Iberdrola) e permitirá uma maior diversificação das receitas com 58% do EBITDA realizado em Espanha, 29% no Reino Unido, 10% na América latina e 3% nos EUA. Além disso, a dimensão acrescida da sociedade também melhorará o seu poder de negociação e permitirá ao grupo obter melhores preços na compra de combustíveis e, assim, registar melhores margens. O grupo será também financeiramente mais forte, um aspecto essencial num sector que deverá proceder a diversos investimentos para fazer face ao aumento da procura de energia. Simultaneamente, esta base financeira também lhe permitirá precaver-se para eventuais aquisições. Por fim, a experiência da Scottish Power no armazenamento de gás oferecerá novas possibilidades comerciais e oportunidades de crescimento na América latina.

Energias renováveis
O novo grupo será líder mundial nas energias renováveis (16,5% da sua capacidade de geração). Além disso, a SP é o número dois nesse domínio nos EUA. Deste modo, poderá colher os frutos do crescimento previsto para este tipo de energia nessa região. O novo grupo poderá ainda beneficiar da experiência acumulada da Iberdrola neste domínio através da participação na Gamesa, líder do mercado espanhol na produção e instalação de geradores eólicos, que também está presente nos EUA. De resto, o interesse dos investidores no mercado das energias renováveis não pára de aumentar e o lançamento de índices como o Merril Lynch Renewable Energy, no qual a Iberdrola pesa 20%, comprovam esse interesse e são factores que poderão impulsionar a cotação.

A operação
A fusão da Iberdrola e da SP far-se-á por troca de acções e também em dinheiro. Com isso, os accionistas da empresa britânica passarão a deter cerca de 21,4% das acções do novo grupo. No entanto, o principal accionista individual será a construtora espanhola ACS (12%) – igualmente detentora de 40% da Unión Fenosa, a terceira eléctrica espanhola –, que, inclusive, já anunciou a sua intenção de aumentar a participação. Tendo em conta a participação da ACS nestas duas eléctricas espanholas, não podemos excluir a hipótese de, a prazo, assistirmos a uma nova fusão. Por fim, outros accionistas minoritários também têm vindo a aumentar sistematicamente a sua participação na Iberdrola, nomeadamente Alicia Koplowitz (uma das principais fortunas em Espanha), que recentemente passou a deter 2,5% desta eléctrica.

Boas perspectivas
Na verdade, o anúncio da fusão penalizou a cotação da Iberdrola. Apesar da operação ser justificada do ponto de vista estratégico, o preço pago será algo elevado e a redução de custos, exceptuando alguns domínios (energias renováveis, aquisição de energia), será escassa, na medida em que as empresas continuarão a operar de forma independente. Por outro lado, com a aquisição do grupo britânico, a eléctrica espanhola passou pela vigilância das autoridades europeias, o que poderá facilitar eventuais aproximações no futuro (Unión Fenosa, Gas Natural, EDP, …).
À cotação actual e com base na nossa estimativa de lucros por acção para 2007 e 2008 de, respectivamente, 2,66 e 2,85 euros, a acção está correctamente avaliada. Deste modo, pode manter em carteira. Os especuladores podem comprar, dado que o interesse dos diferentes accionistas poderá estimular a cotação. Mas o risco é elevado.

Cotação à data da análise: 34,90 EUR



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Cotação
6.22 EUR

Conselho


Avaliação
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Indicador de risco
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Incluída na carteira da POUPANÇA ACÇÕES?
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Beta

O coeficiente Beta é um indicador da volatilidade de uma acção.
As acções com maior peso têm geralmente um Beta próximo de 1, que é a média do
mercado. Quanto mais se afastar de 1, a acção reage de uma forma mais volátil do
que a média. Para Betas inferiores a 1, a acção é menos volátil do que o mercado
em que se insere.
Um Beta de 1,16, por exemplo, significa que a volatilidade da acção é 16% superior
à média de referência.

 



Efeito de alavancagem

O efeito alavanca consiste num efeito multiplicador. Por exemplo, nos warrants e opções, as flutuações na cotação do activo subjacente são repercutidas no valor do warrant ou opção de forma muito superior. O efeito de alavanca aplica-se na subida do activo subjacente mas também na descida, o que torna os warrants e as opções bastante especulativos.


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